sexta-feira, 9 de setembro de 2011

o carib isle! [tradução]

(Hart Crane / de Key West: An Island Sheaf, 1932)

[para aumentar: http://bit.ly/vZiBlJ]

(2011)

Composto em 1926, este poema foi sendo revisado ao longo dos anos, até 1931. Foi publicado em 1927.
A paisagem caribenha aparece, aqui, imbuída de morte e silêncio. Trata-se de um cenário marasmático, em que aranhas passeiam por perto dos mortos, em que caranguejos – com seus passos desajeitados – parecem escrever um nome perdido, em que conchas circundam túmulos locais; um cenário perante o qual a voz enunciadora do poema, após constatar o peso da mortandade, conjectura contrariar a atmosfera funérea dizendo “nomes férteis” que quebrem a “cúpula dos mortos”, nomes exuberantes – como o da poinciana – que, apesar de serem mera linguagem, poderiam afastar o vento destruidor (elemento bem característico do Caribe, como outros poemas de Crane atestam) e fazer com que houvesse mais “fôlego” para se dizer as “sílabas” da vida.
A voz enunciadora, no entanto, não está inteiramente ligada à apologia da vida. Ao se perguntar sobre quem coordenaria toda essa paisagem, ela se aparta da vida concreta, indo – feita espírito – ao encontro do “cômico chefe do paraíso”, numa viagem em que olhar para trás é correr o risco de ficar no mundo intermediário, como ficam as tartarugas encalhadas no cais. Essa parece ser a importância de que o viajante “não veja  a si mesmo por mais uma vez”. A voz, no entanto, apesar de alertar sobre o perigo, parece cair na armadilha dessa zona crepuscular, fundindo-se no fluxo e recebendo de Satã, na forma de amuleto,  uma concha, que é um resto mortal de um molusco, ou seja,  um sinal da morte de um ser vivo. 
O poema, então, parece delinear a visão que Crane tem da própria condição do poeta, que, em certa medida, se assemelha à do xamã, entidade que intermedia dois mundos, mas um xamã angustiado, destruído, feito escombro.
A tradução procurou manter as rimas onde originalmente estavam. Além disso, permitiu uma irregularidade métrica, já que o próprio original apresenta pluralidade na extensão dos versos.

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