terça-feira, 26 de julho de 2011

– and bees of paradise. [tradução]


(Hart Crane / de Key West: An Island Sheaf, 1932)

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(2011 - 2018) 

Tudo indica que este poema é uma celebração de um amor por meio do qual os amantes, inseparáveis, percorrem, rumo ao sol, céus acesos (“Yes, tall, inseparably our days / Pass sunward. We have walked the kindled skies”). Nesse cenário, o casal é tomado pelas imagens celestiais da pomba, provável alusão à divindade cristã, e das abelhas do paraíso, seres presentes em lendas variadas, como, por exemplo, na do mundo pós-morte asteca e maia.  De acordo com Janette Favrot Peterson, “no pensamento mexica e maia, as abelhas eram associadas aos espíritos dos mortos que voltavam à terra” e “eram usadas como metáforas para as almas também no paraíso Cristão”.[1]
Considerando que Crane tinha interesse pela cultura ameríndia pré-colombiana, o que o fez até tentar escrever um épico sobre o assunto, é possível que ele tenha, de alguma forma, tido acesso referências bibliográficas ou pictóricas (já que imagens de abelhas faziam-se presentes em murais que retratavam o pós-vida asteca[2])  que indicassem essa forma através da qual maias e astecas viam esses insetos.


[1] PETERSON, Janette Favrot. 1993. The Paradise Garden murals of Malinalco: utopia and empire in sixteenth-century Mexico. University of Texas Press. Austin. p. 134.
[2] PETERSON, Janette Favrot. Idem.