domingo, 23 de dezembro de 2012

the mango tree. [tradução]


(Hart Crane / Key West: An Island Sheaf, 1932)
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(2011-2012)

*The Mango Tree, escrito por Hart Crane em 1926, é um caligrama que encara a Mangueira como a verdadeira macieira do Éden. O texto, que se dispõe na página de forma a mimetizar uma árvore, realiza uma abordagem imagética do universo edênico. A tataravó do primeiro parágrafo, por exemplo, é sinônimo de  Eva, que – sabemos – desrespeitou a lei divina e furtou um dos frutos da árvore proibida. Outro exemplo é a goma de mascar (doce geralmente associado à infância) que, descartada, parece aludir ao fim da inocência infantil de que Adão e Eva dispunham antes da queda.
O texto também se desenvolve sobre imagens de luz – galhos dourados, folhas esmeraldas, fartura de sol, maçãs luminosas, relâmpagos irisados –  que fazem a árvore textual brilhar como uma árvore natalina. O Natal, supostamente uma data de recomeço e de amor, parece resignificar o “furto” de Eva, que seria, neste sentido, um gesto amoroso e fundador da humanidade (as lanternas feitas de maçã jorram história, diz o texto). A árvore, cheia de frutos iluminados, é fonte de amor e consciência. Comer tais frutos , portanto, não seria motivo de vergonha (corar, nas palavras do texto), conforme pregam os “velhos hipnotismos” que até hoje “torcem os galhos dourados”, isto é, querem inibir o potencial amoroso da árvore.  Daí, a sentença final, de alguém que chama uma mulher para, com cestas, colher os frutos. Trata-se de um poema que inverte este episódio bíblico, dando ao ato condenável um potencial transgressor e, ao mesmo tempo, amoroso.

(Há duas cartas do próprio Hart Crane sobre o poema. Este link traz comentários sobre elas: http://www.english.illinois.edu/maps/poets/a_f/crane/mango.htm )